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Vitória Gabriela nasceu prematura aos 6 meses de gestação de um parto normal, depois de um deslocamento de placenta, no dia 19 de Janeiro de 2009. A demora no atendimento adequado desencadeou alguns problemas: infecção pulmonar, por exemplo. No dia 25 de fevereiro, após 37 dias de luta diária, ela não resistiu. Um dia para se guardar no coração 
- Você quer tê-la em seus braços? Talvez não tenha outra oportunidade! Disse o Dr. J.. - Com certeza, teremos muitos outros momentos, respondi. Naquele instante o médico disse que chamaria as enfermeiras para providenciar o processo. E eu aproveitei para dizer a minha pequena que se preparasse que, logo-logo, iríamos ter uma união total. Sai da Utin (UTI Neonatal), aos pulos de alegria, e fui para o alojamento Mãe Canguru - local em que vivia já há alguns dias para acompanhamento da recuperação de minha filha Vitória Gabriela, nascida prematuramente no dia 19 de janeiro de 2008. Lutávamos diariamente e cada minuto tinha um enorme significado de esperança para salvar a sua vida. Era 14 de Fevereiro de 2009, e naquele dia Carlos (meu esposo) completava mais um ano de vida. Liguei para ele e contei a novidade. Disse-lhe que o presente quem ganharia era eu. Ele ficou muito feliz. Cheguei ao alojamento tomei banho. Tinha medo de passar alguma bactéria para a minha pequena. Troquei a bata (roupa que as mães usavam dentro do hospital). Nesse ínterim, só ficava pensando como seria esplêndido aquele momento que se aproximava. Voltei rapidamente para UTIN e, ansiosa, fiz todo o processo de higienização necessário: colocar a touca; lavar as mãos, braços e antebraços com detergente específico; passar álcool... Já estava acostumada a esse procedimento. Senti-la em meus braços era só em que pensava. Cheguei, e as enfermeiras perguntaram: - E aí, mãe, está pronta? - Claro que sim, mas antes quero saber os riscos que ela corre. - Os riscos existem, mas nada comparado ao prazer que darão uma a outra. Será importante para as duas, respondeu Dr. J.. Realmente, foi sublime e, pela primeira vez, em 26 dias, percebi que ela era minha de verdade e que nada poderia tirá-la de mim. Tive vontade de sair correndo com ela. Durante 15 minutos só existíamos nós duas, numa comunhão cuja sensação jamais conseguiria descrever em palavras. Era um momento de entrega total entre mãe e filha. - Parabéns mãe, ela nem alterou os batimentos, está adorando o seu aconchego, disse Dr. J.. E ficamos lá, conversando, cantando, sentindo e trocando muito amor. Este é um daqueles momentos que desejamos que o tempo pare e que fique congelado para sempre. O nosso amor não conseguiu superar os problemas que a minha pequena teve ao nascer, por falta de atendimento, e por isso só pude aconchegá-la em meus braços naquele único dia 14 de Fevereiro. Onze dias depois, às 13h, de um dia de sol, o seu coraçãozinho, que tinha provado tanto amor, parou de bater ali na minha frente e eu não pude fazer nada, a não ser chorar. Ainda posso senti-la em meus braços. A sua respiração, o seu calor, o ritmar do seu coração, como foi pleno.
Cleilma Fernandes
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Fevereiro, 2009
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