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Há 5 anos… Sonhava com uma grande barriga, toda empinada e redonda que iria orgulhosamente ostentar, durante 9 longos meses! Sonhava
com uma gravidez tranquila, intensamente vivida, usando-a, por vezes,
como uma óptima desculpa para satisfazer aqueles desejos mais
caprichosos, muito fúteis, mas necessários! Sonhava ser eu a mãe, a
única e a melhor mãe, do bebé mais lindo que alguma vez se tinha visto,
todo roliço, com deliciosos refegos espalhados no seu corpo e que mal
nascesse, chorasse para o mundo… e eu, tão cheia de felicidade,
aconchegava-te num imenso abraço … Eu sonhava… Sonhava que te
iria trazer para casa, num ovinho comprado há muito tempo, azul, muito
azul, e tu vestidinho com aquele conjunto a condizer! Sonhava
mostrar-te o teu quarto que carinhosamente tinha preparado, ao longo
dos últimos meses, a cor das paredes em sintonia com os cortinados! E a
roupa de cama...hum...tão cheirosa, mas tão cheirosa que tu irias
adormecer, ao som da imensa serenidade que se sentia! E eu sonhava… Eu
sonhava, com a alegria de ser eu a mãe, a única e a melhor mãe, de um
bebé que me iria ocupar todo o meu colo, que eu iria mimar e embalar,
logo no teu primeiro segundo de vida, que serias meu e só meu, nada nem
ninguém estaria entre nós… Eu sonhava… 
Mas
um dia acordei, numa realidade em que nunca pensara, em que os meses
subitamente se encurtaram, em que um futuro se transformou em presente,
sem nunca ter sido passado… A barriga que tanto desejara não
cresceu, e tu, meu amor, nasceste... magrinho, mas tão magrinho… um
quilo, um quilinho tão pequenininho! Tudo se antecipou, não havia um único refego, só um choro sumido e eu, não te abracei, não te cheirei… Não havia alegria, mas medo, muito medo de te perder! “João, tudo vai correr bem!” foi só o que te disse, nos breves segundos que te vi… Aí, todos os meus desejos e mais alguns passaram a ser um só, que o meu João não desistisse! O
quarto que nunca chegou a ser acabado, deixou de interessar, o ovinho
manteve-se embrulhado durante muito tempo…e aquela roupinha, a tua
primeira roupinha, continuou guardada... A casa do meu filho era outra, bem diferente da que eu tinha sonhado…mas eu só queria que não desistisses! Há 5 anos atrás, tudo foi assim, tão brusco, tão intenso… Eu não era a mãe, porque nem te abracei, Eu
não era a única mãe, pois no teu começo de vida, muitas pessoas eram
mais importantes para ti, pois só elas te poderiam ajudar… Eu não era a melhor mãe porque nem te consegui ter dentro de mim 9 meses… Mas
eu estive sempre ali, sempre ao teu lado, a mimar-te de perto e ao
longe, a desejar que vibrasses de saúde, de muita, muita saúde! Afinal,
eu não era a única e a melhor mãe, mas sim a tua mãe, porque no meio de
tanta gente, no meio de tantas coisas eu, mesmo sem te afagar, mesmo
sem te embrulhar no calor do meu abraço, mesmo por detrás de um vidro,
eu te amei em todos os segundos, em todos os momentos, eu
verdadeiramente te amei. João, meu filho, há 5 anos atrás, hoje e sempre serei a tua mãe, e tu, meu querido, o meu eterno e grande amor!

Hoje, meu amor, estou serena, porque te tenho junto a mim! Julho 2009 Ana
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