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Olá a todos,
Já há muito tempo que tento ganhar coragem para contar a minha história....
Depois de uma luta constante, de dois abortos, um deles com 12 semanas foi em Junho de 2003 que soube que estava grávida. Como podem imaginar eu e o meu marido ficamos muito contentes, mas ao mesmo tempo, o medo de que algo corresse mal perseguia-nos no dia a dia. Durante o primeiro trimestre da gravidez eu senti-me muito cansada mas a alegria de ser mão ultrapassava tudo de mau que pudesse sentir. Já não me recordo com exactidão, mas creio que foi por volta das 9 semanas que tive uma hemorragia, e mais uma vez entrei em pânico, fui ao hospital e ao ser examinada tivemos a feliz notícia que estava tudo bem com o bebé..... não, estava tudo bem com os bebés, era só uma pequena infecção vaginal. Eu estava grávida de gémeos Bem era um sonho.....Ficamos muito contentes, não conseguíamos parar de sorrir. Praticamente todos os amigos diziam, como é que vai ser dois duma vez só, vai ser complicado.... Para nós não era, era uma bênção de Deus..... A minha primeira meta era passar as 12 semanas e ver se estava tudo bem com os bebés, assim que passei e primeiro trimestre, parecia outra, cheia de energia, eu nem acreditava à medida que ficava mais pesada parecia que ganhava mais energia. Depois de algumas ecografias, ficamos a saber que íamos ser pais do Diogo Filipe e do João Pedro. Decidimos que o primeiro bebé a nascer se chamaria Diogo Filipe e o segundo João Pedro. Mais ou menos por volta das 20 semanas comecei a sentir de novo muito cansaço e não podia andar muito pois ficava muito cansada, e sentia umas "coisas" que não sabia o que eram, a médica dizia que era normal por serem dois..... Às 24 semanas fui internada de urgência no Serviço das Grávidas de Risco no Hospital Pedro Hispano em Matosinhos (ao qual faço todos os meus agradecimentos da forma como me trataram durante o tempo de internamento), pois já estava com quatro dedos e meio de dilatação e contracções ("coisas"). De imediato fizeram-me uma cerclage (cozeram-me o útero) e eu tive de estar em repouso absoluto. A meta era pelo menos chegar às 30 semanas. Mas não conseguimos. Às 26 semanas e 3 dias rebentou-me a bolsa da água do Diogo e às 27 semanas e 3 dias o Dioguinho deu-me um pontapé tão forte que eu senti rebentar os pontos da cerclage. O Dioguinho foi sempre o bebé mais agitado, sempre em movimento, já o João Pedro era muito sossegado. E foi naquele sábado chuvoso dia 6 de Dezembro de 2003 que o Dioguinho e o João Pedro Nasceram. Fui transferida para o Hospital Geral de Santo António, porque o Pedro Hispano lamentavelmente não fazia partos ao fim de semana. Foi a viagem mais longa da minha vida, na ambulância cruzava e apertava as pernas para os bebés não nascerem. O parto não foi difícil, foi chegar à sala e ao quinto pucho o Diogo nasceu. Eu mal o vi, ele chorava (muito baixinho) e eu fiquei aliviada ao ponto de esquecer que o João Pedro o meu lindo João Pedro ainda estava dentro de mim. Começou tudo de novo, provocaram-me contracções e ajudaram o João Pedro a nascer, foram lá busca-lo. O João Pedro não queria nascer, estava tão sossegadinho, nasceu com o cordão à volta do pescoço e teve deitado em cima da minha barriga em quanto tratavam do Diogo. Eram tão pequeninos. Só os vi no Domingo à tarde e fiquei muito muito chocada. Eram mesmo muito pequeninos pesavam um quilo cada um e mediam mais menos 30 a 32 cm. Foi muito complicado, eu estava em choque, pois enquanto internada nas grávidas de risco, toda a equipa de enfermagem e parteiras davam-me muita força e diziam que iam correr tudo bem, mas eu não tinha a mínima noção da realidade. Como seria um bebé de 27 semanas. O Diogo era o bébé mais debilitado (mais frágil) e chegou às 850 gramas. O João Pedro por sua vez parecia mais forte e resistente chegou às 950 g. Passávamos o dia e parte da noite na neonatologia do Hospital Geral de Santo António à qual agradecemos a todos os médicos e enfermeiros todo o esforço que fizeram pelos nossos filhos. Foi no terrível dia 12 de Dezembro, o telefone toca e é do Hospital. Foi fulminante o nosso lindo João Pedro não resistiu à prematuridade aliada à insuficiência cardíaca e doença das membranas. Foi o inferno, ficamos revoltados, tudo caiu sobre nós, questionámos até existência de Deus. Agora todas as forças estavam voltadas para o Diogo, o qual tinha uma energia e força fantástica. Passamos momentos de muita angustia, sempre na expectativa de que também perdíamos o Diogo. Passou por fases muito muito complicadas mas a força que tinha ajudou-o a ultrapassar as dificuldades que apareciam. Os dias transformaram-se numa eternidade e a hora do Diogo vir para casa não chegava. Dia 15 de Fevereiro de 2004, como habitual chegamos de manhã à neonatologia e a enfermeira Isabel, perguntou-nos se o quarto do Diogo estava preparado para o receber. Ficamos radiantes, não cabíamos em nós de tanta felicidade, o Dioguinho finalmente ia ter alta. Saiu do hospital com 37 semanas com 2 350 e 44 cm, já com dois meses e meio era tão pequenino, nadava nos fatos. Hoje o Diogo tem quase dois anos e meio e é um rapaz cheio de força de viver, força essa que realmente lhe valeu muito, ficou com uma pequena sequela respiratória. O primeiro Inverno foi muito complicado, passou-o praticamente todo doente, o segundo que está a decorrer, graças a Deus já não, já tem mais defesas, já consegue ultrapassar melhor uma constipação. Ultrapassou a prematuridade com 10 meses pois já tinha os valores normais de crescimento. Com 25 meses pesava 14.400 e media 92.5 cm.
É o nosso pequeno grande herói. Nós é que muito dificilmente vamos conseguir ultrapassar a perda do João Pedro que está e estará sempre presente nos nossos corações e onde quer que se encontre será sempre o nosso anjinho da guarda.
Paula Silva
(Maio 2006)
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