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O meu pinguinho de gente Imprimir E-mail
Escrito por Margarida   

Fez agora 34 meses que nasceu a minha filha Margarida. Pequenina, muito pequenina veio ao mundo no dia 17 de Julho de 2002.

Tive uma gravidez de risco, devido a problemas anteriores com outras gestações. Depois de uma primeira gravidez sem problemas, já tinha tido um aborto retido e no ano anterior ao nascimento da Margarida tinha perdido o António com 30 semanas de gestação. Nesta gravidez estava a ser super vigiada, com controle médico muito apertado, ecografias quase semanais etc. Com quase 28 semanas de gestação, e no decorrer de uma dessas ecografias, detectou-se que a bébé não estava a crescer e que a placenta estava com problemas. Fui internada de urgência no Hospital dos SAMS em Lisboa, e no dia seguinte a Margarida nasceu. A minha pimpolha tinha apenas 875 gramas, era tão pequenina que ainda hoje me custa pensar nisso.

A minha médica tirou-lhe uma fotografia assim que nasceu e foi-me mostrar (tinha sido uma cesariana e eu não pude ir logo ver a bébé), quando vi a fotografia achei que a bébé era magrinha, frágil, mas que até era grande… No dia seguinte, cheia de expectativa, fui com o meu marido, até à Unidade de Neonatologia ver a nossa filha, quando lá cheguei não queria acreditar no que via, a Margarida era um “pinguinho de gente”, nunca tinha visto um bébé tão pequenino, a sua cabecinha era mais pequena que uma bola de ténis, o seu corpinho era tão frágil, tão frágil que é difícil explicar. Depois do choque inicial, nem queria olhar para a Margarida (coisa que ainda hoje me penitencio), porque achei que era impossível que uma coisinha tão frágil e pequenina conseguisse sobreviver, e eu não queria decorar a cara dela. Fui praticamente “obrigada” pela Enfermeira Lina a pegar na Margarida ao colo, puseram-me aquele “pinguinho de gente” cheio de fios dentro da bata em contacto com o meu peito e falaram-me sobre o método canguru, chorava tanto que a Enfermeira Lina brincava comigo dizendo que eu ia afogar a rapariga! Depois foram 49 dias longos, longos, longos. Com altos e baixos, com dias bons e dias menos bons. A Dra. Paula Garcia e a sua equipa sempre nos informaram de tudo o que podia acontecer com a Margarida, sempre responderam com a máxima clareza sobre todas as nossas dúvidas (que eram muitas). Tive que aprender a viver um dia de cada vez, um dia depois do outro, e principalmente tive que aprender a viver sem planos. Havia dias em que a minha vontade era gritar de felicidade por mais uma etapa vencida, mas logo depois tinha vontade de chorar de desespero por mais um problema que aparecia. Foi a transfusão, foi o cateterisma, foi o canal do coração que podia estar aberto, foi a possibilidade de hemorragias na cabeça, foi a rejeição do leite, etc.,etc. Mas quando aprendi (com a ajuda da Dra. Ana Cristina Ferreira, minha ginecologista,obstetra, e hoje uma grande amiga) que tinha que viver um dia de cada vez e que tinha que confiar na equipa que estava a tratar da minha filha, comecei (mas custou muito) a aliviar a pressão.

Depois, de dia para dia, a Margarida começou a reagir, começou a aceitar o leite, os órgãos tão imaturos começaram a funcionar, e passados 49 dias levámos o nosso “pinguinho de gente” com 1.860 gramas para casa e para ao pé do irmão Francisco, de seis anos, que estava ansioso por tê-la por perto. Foi sem dúvida um dos dias mais felizes na minha vida.

Gostava com este pequeno relato de transmitir toda a minha solidariedade a todas as mães que têm bebés prematuros, e de lhes dizer que vale a pena acreditar na força dos nossos bebés, nos médicos e enfermeiras que os acompanham, e sobretudo em Deus. Acho que a troca de experiências ajuda muito, quando estive com a Margarida no hospital, a Dra. Manuela, juntamente com a Enfermeira Lina e a Enfermeira Carla, chamaram outras mães que me foram contar as suas experiências com filhos prematuros, levaram até as crianças agora crescidas para eu ver que valia a pena acreditar, e essas conversas ajudaram-me muito. Obrigada mais uma vez à mãe da Madalena e à mãe da Maria João (que trouxe a família e veio de propósito do Alentejo num fim de semana só para falar comigo). Obrigada ás duas do fundo do coração!

Gostava também de com este relato poder agradecer a todos os “tios” e “tias” do Hospital do SAMS que tão bem trataram da minha filha, e de mim…

É verdade, a Margarida tem hoje quase 4 anos, pesa 15 Kg, diz que namora o Peter Pan e claro é LINDA!!!!! O meu “pinguinho de gente” é agora uma “Princesa rechonchuda”!

Fotos da Margarida 


1. Margarida com 2 meses


2. Margarida com 3 anos

Margarida Paim

(Maio 2006)

 

 
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