A minha Clarinha Imprimir E-mail
Escrito por Nathalie Rocha   

O meu nome é Nathalie e sou imigrante, nasci em França mas falo e escrevo português. Os meus pais são naturais de Fafe (distrito de Braga) e meu marido é de Vila Nova de Cerveira (Viana do Castelo).Todos os anos, vou de férias para Portugal (Terra que adoro).

Eu fui de férias em Agosto de 2004 e na sexta-feira dia 13, dei entrada no Hospital de Viana do Castelo às 5 da manhã. Eu estava a perder as águas e a ter dores. Deram-me uma injecção por causa dos pulmões da minha filha que ainda não estavam bem desenvolvidos. Depois tive que ficar deitada e injectaram-me um produto para parar as dores e parar o trabalho de parto. De tarde fui transportada para o HG de Santo António. Aguentei, assim, até o domingo 15 de Agosto e às 4 da manha a minha Clarinha decidiu nascer. Foi um parto normal. Todos os médicos estavam ali presentes à espera dela. Mal ela saiu, estavam todos de volta dela, mas para ser sincera, fiquei aliviada ao ouvi-la gritar. Ela estava viva. Foi um momento da minha vida em que eu me senti só e com uma tristeza profunda. De volta de mim, ninguém  compreendia o que se estava a passar.

Às oito da manhã pedi para me levarem ao pé da minha filha, eu queria vê-la. Foi muito difícil, mas os médicos vieram logo ter comigo para me explicarem a situação. Bem tentei que a Dr. Paula me dissesse que minha filha ia estar fora de perigo, mas ela foi totalmente sincera e disse-me que não ia ser bem assim.

O barulho das máquinas é tão assustador, e ver um bebé tão pequenininho, fiquei a chorar e acariciar a minha filha, a falar-lhe dizendo-lhe que tinha que lutar pela vida. Senti-me tão culpada pelo facto dela ter nascido assim tão cedo. Ainda hoje não sabemos porquê.

A minha Clara pesava 900 gramas e desceu até às 750 gramas. Desde que ela começou a ganhar peso…era todos os dias. Relativamente ao seu peso nunca houve problemas. O que me assustava eram as braquicardias. As enfermeiras vinham a correr para mexerem nela. Muitas vezes, cheguei a pensar que era o fim, mas não, ela lutou e venceu. Ela fez duas transfusões de sangue e custou-lhe a pegar no biberão. Levou tempo mas sempre conseguiu.

Os médicos, enfermeiros (as) e auxiliares foram tão bons para mim. Cada vez que penso neles não posso deixar de chorar. Elas ajudaram-me muito, sobretudo quando o meu marido e familiares regressaram para a França no final de Agosto. Fiquei sozinha. Vim a conhecer, nessa altura, uma família extraordinária, pessoas fantásticas que me acolheram na sua casa. Nunca esquecerei essa família. Guardei o contacto de cada um deles.

Também vim a conhecer e partilhar os bons e maus momentos com outras mães que tinham os seus filhos nos cuidados intensivos. A Clara ficou até ao dia 22 de Outubro no serviço de neonatologia e foi transferida para o serviço de pediatria nesse mesmo dia e depois fomos transferidas para um hospital aqui em França. A última semana em Portugal foi muito complicada para mim porque o serviço de pediatria é totalmente diferente da neonatologia. Eu fiquei 24 sob 24 horas perto da minha filha. Ela continuava a ter esses episódios de braquicardias. Tanto que no regresso a França, no avião, ao dar-lhe o leite ela fez uma e necessitou logo de oxigénio. A nossa sorte foi que estávamos acompanhadas por um médico. Em França, ela ficou internada no hospital Lenval, em Nice, até ao dia 25 de Novembro por causa dessas braquicardias. Até ao dia de hoje, ela teve internada três vezes, por causa de uma bronquiolite e necessitou oxigénio.

Aqui estão as fotos da Clarinha, na incubadora e de como a minha filha está agora, para verem o que ela era e o que ela é.

 


É com muito prazer que vos conto esta história que tem um final muito lindo.

Nathi

(Junho 2006)

 
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