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Pais/Profissionais de Saúde Imprimir E-mail
Escrito por Ana Salvador   

No ambiente hospital e muito em particular numa Unidade de Cuidados Intensivos , os laços afectivos, entre pais e filhos, quase sempre são comprometidos em virtude, não só do longo período de internamento a que o bebé provavelmente estará sujeito, mas também, como consequência das rotinas impostas pela própria Unidade e obviamente pelas condições clínicas da mãe e do bebé, muito em particular se for um grande prematuro.
A primeira visita é sem qualquer dúvida a constatação da realidade em que se encontra o bebé. É um momento inesquecível para os pais, que se deparam não só com a aparência frágil e dependente do seu filho, mas também com um enorme aparato tecnológico que a ele está ligado.
 O facto do bebé se encontrar na Unidade de Cuidados Intensivos leva a que os pais, quase que transformem, este local, na sua segunda casa (senão, primeira). Estes pais têm obviamente necessidade de permanecer de forma assídua e contínua junto do seu filho, de o acompanhar, de o mimar. Esta fase é extremamente dolorosa, pois além das enormes dúvidas que têm relativamente ao seu estado de saúde, o ambiente hospitalar (intensivo) que os rodeia, pouco ajuda a amenizar o desconforto, a angústia e o medo que sentem.
O papel dos profissionais de saúde envolvidos neste processo revela-se, assim extremamente importante, pois além de cuidarem do bebé, podem, com pequenas atitudes, atenuar o grau de ansiedade dos pais, permitindo que esta fase seja ultrapassada da melhor maneira possível. É verdade que, por vezes, algumas atitudes/palavras, decorrentes do normal funcionamento da unidade, noutras circunstâncias, passariam completamente despercebidas, no entanto, face ao difícil momento que estes pais estão a passar, tudo e nada que se faça ou diga, poderá ser (erradamente) mal interpretado.
Assim, é exposto de seguida uma lista de algumas destas situações as quais podem ser facilmente ultrapassadas e resolvidas, com alguma sensibilidade, pelos profissionais de saúde envolvidos em todo este processo:
  - No dia da primeira visita, deverá ser explicado de forma clara o que é uma Unidade de Cuidados Intensivos e qual deverá ser o comportamento dos pais nesse mesmo local, que cuidados deverão ter, o que podem ou não fazer, a quem se podem dirigir caso surja alguma dúvida, etc;
 - O profissional de saúde deve perguntar aos pais como querem ser tratados. É prática comum nestes locais, de apelidarem, os pais, de mãe ou pai. Se para uns esta atitude poderá não ter significado, para outros poderá traduzir-se nalgum desconforto, afinal estes pais só o são dos seus filhos e de mais ninguém. Quanto muito, ao dirigir a uma mãe (ou pai), e caso não saiba o seu nome, chame-a (o) por mãe (pai) de..... (nome do filho);
 - Quando se referir ao bebé, não o apelide de “meu bebé”. Na realidade, e em virtude dos pais não poderem, por questões clínicas, usufruir em pleno do seu bebé, poderão sentir ciúmes (infundados, obviamente, mas reais) os quais são, por vezes, difíceis de gerir. Os profissionais de saúde nunca se poderão esquecer que em virtude do seu trabalho, têm como enorme privilégio o livre acesso ao bebé, não acontecendo o mesmo com os pais, daí estes estarem limitados no desempenho da sua afectividade;
 - Promova, sempre que possível, o contacto entre os pais e o bebé. Mesmo em situações em que este contacto não possa ser directo, por razões clínicas, o profissional de saúde deverá motivar os pais a abordarem o seu filho, dando-lhes confiança e estímulo, explicando-lhes como é importante para o bebé, sentir a sua presença, a sua voz, o seu cheiro;
 - Assim que a condição clínica do bebé o permita, incentive os pais a pegar nele, ensinando a forma correcta de o fazerem. Este momento é muito esperado pelos pais, mas também é, por vezes, assustador, devendo, assim ser dado o tempo suficiente, para  que o primeiro contacto seja o menos stressante possível; 
 - Ensine os pais a lidarem com o seu filho, ajudando-os a detectar e a entender os seus sinais, a tratarem dele, quando for possível. Os pais necessitam de sentir que são efectivamente pais do seu bebé e de estarem à vontade nesse papel;
 - incentive os pais a filmarem e a fotografarem o seu bebé. Durante o momento difícil que estão a viver, esta poderá parecer uma questão secundária, mas um dia mais tarde estes pais gostarão de possuir esses testemunhos de uma época ultrapassada;
 - Se ocorrer um momento particularmente positivo e marcante e caso os pais estejam ausentes, registe esse momento. Hoje em dia todos os telemóveis têm câmara fotográfica;
 - Incentive os pais a cantarem, a falarem e a contarem histórias ao seu bebé, assim como a decorarem a sua incubadora;
 - É preciso ter consciência que todos os pais são diferentes e por isso reagem de maneiras diferentes. Seja perspicaz e sensível para lidar da melhor forma com cada um deles;
 - É importante entender que também os pais têm “dias críticos”, seja por isso compreensivo;
 - Assim que seja possível, permita que os pais forneçam a roupa para o seu bebé;
 - Festeje com os pais os momentos positivos, quando o bebé atinge determinado peso, quando faz 1 mês, quando abandona o ventilador, etc
 - Forneça informações claras e precisas relativamente ao estado de saúde do bebé, permita que os pais coloquem questões e seja amável e compreensivo, face à ansiedade que por vezes demonstram.

 
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