Mini Laura Imprimir E-mail
Escrito por Rui Borba   

Quando soubemos da data do parto ficámos deveras satisfeitos, a Laura (nome escolhido pela mana Carolina, também prematura de 34 semanas) nasceria a 29 de dezembro, que bela prenda de Natal. Depois de sermos pais de uma bebé prematura pensámos que de certeza isso não se iria repetir, erro crasso.

Ás 25 semanas e 7 dias a Elsa deu entrada nas urgências do Hospital do Barreiro, tinha fortes dores na zona das virilhas e já algumas contracções,disseram-nos que já não tinha praticamente liquido amniótico e que teria que ser transferida para o Hospital Garcia de Orta, tinha uma grande infecção urinária e vaginal, tinham-se rebentado as águas e a bebé iria nascer, mas só em Almada tinham condições de receber um bebé tão pequeno. A história repetia-se mas 8 semanas mais cedo, como era possivel. Ás 23h54m do dia 23 de setembro, com precisamente 26 semanas, nascia a Mini Laura com 805grs, quando fui vê-la nem queria acreditar que um ser tão pequeno poderia sobreviver, a pressão nervosa vivida nas 24hrs anteriores nem me deixava estar realmente "consciente" do que estava a acontecer.

Nesta altura o que mais se deseja é ver o bebé respirar e conseguir superar a primeira de muitas etapas de grande sofrimento para os pais, mas principalmente para os pequenos grandes heróis recém-nascidos. O cenário de uma unidade de cuidados intensivos neonatais não é dos melhores, a quantidade de fios, sondas, monitores e alarmes é impressionante, mas com a dedicação e o carinho que vemos as enfermeiras e médicos lidarem com os nossos bebés é deveras reconfortante, pois sabemos que não poderiam estar em melhores mãos. Como nos dizem diariamente estes Anjos da Guarda, este processo é para ser vivido um dia de cada vez, pois com bebés tão prematuros não é possivel fazer futurologia.

A Laura perdeu algum peso, pesava 699grs, e ao oitavo dia de vida tentaram tirar-lhe a ventilação, vivemos então o pior momento das nossas vidas, a bebé tentava respirar sozinha com todas as forças que tinha mas não estava a conseguir, com alarmes a tocar a nossa filhota estava a asfixiar, as enfermeiras chamavam pela médica de serviço e pediram-nos para sair da sala. Os minutos seguintes tiveram a duração de horas, tememos o pior.Quando nos mandaram entrar vimos a pequenota novamente ventilada, tinha superado mais uma prova, mas para os pais que presenciam um episódio destes posso dizer que não é nada fácil.

Como que por milagre, depois deste revés, as coisas começaram a evoluir muito positivamente e depois de 59 dias de hospital (18 dos quais ventilada), duas transfusões de sangue, mil e uma picadelas de agulha, aumentos e perdas de peso, ecografias e exames oftalmológicos a pequena grande Laura veio para casa com 1965grs. Ao escrever estas linhas a Laura tem 2450grs e está com dez semanas de vida, está linda e a crescer a olhos vistos é o ai Jesus cá de casa.

Quero agradecer à Ana pelo apoio que me deu desde a primeira hora e deixar aqui um agradecimento muito especial a todo o pessoal da neonatologia do HGO(em particular à nossa amiga Drª Marta), pois penso que para trabalhar num sitio destes tem que se ter um dom especial, para se tratar dos mini-bebés, mas também para se lidar com a ansiedade dos pais. Deste pai babado que sempre acreditou,


Rui Borba

(Dezembro, 2006)

 
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