Foi no dia 15 de Dezembro de 2006 que a minha gravidez começou a complicar-se. O meu bebé estava com 27 semanas de gestação, quando a médica obstetra que me estava a acompanhar detectou algo de errado em mim e direccionou-me imediatamente para o hospital. Já no hospital diagnosticaram-me Sindroma de Hellp.
Foi-me dito de uma forma fria e cruel que a gravidez teria de ser interrompida. O Gonçalo teria de nascer. Naquele momento, o meu mundo desabou. Como era possível? Tão cedo!!!??? Mil e uma pergunta faziam ricochete na minha cabeça, numa mistura de tristeza e preocupação. Dito e feito. Às 21 horas, o Gonçalo nasceu com 850 gramas e 34 cm.
Apenas no dia seguinte, conheci o Gonçalo através de fotografias que o pai entretanto tirara. À primeira vista, não o achei assim tão pequenino. Frágil sim, mas não tão pequenino. Meu Deus, como estava enganada…
Seguiram-se 75 longos dias na UCIN, onde o Gonçalo continuou o seu desenvolvimento, agora com a ajuda de uma série de equipamentos que, por um lado apresentava uma imagem assustadora, mas que por outro, seria a salvação do Gonçalo: a quantidade de fios, sondas, monitores e alarmes sempre a tocar era arrepiante.
O dia-a-dia não era nada fácil. Mas com o passar dos tempos, e com a ajuda dos médicos e enfermeiros, aprendemos a importância dos alarmes e percebemos o que se está a passar com o nosso filho. Pensando bem, eu nunca tinha visto um bebé tão pequenino. Mas a primeira vez que peguei o Gonçalo ao colo foi um momento único, o qual nunca esquecerei. Foi um misto de alegria e de medo. Ter nos braços um ser tão frágil mas que se tratava do meu filho. Acho que enquanto estive com o Gonçalo ao colo nem me mexi… Fiquei ali inerte a desfrutar aquele momento. O tempo foi passando e cada vez mais o Gonçalo mostrava vontade e forças para viver. Pouco a pouco foi deixando as sondas, a medicação, as máquinas, até que por fim, a única coisa que tinha no corpo era um bonito fatinho azul. Ficara finalmente interdependente da ajuda artificial.
O Gonçalo saiu do hospital com 38 semanas e com 2070 gramas, já com dois meses e meio. Continuava um bebé pequenino mas mostrando desenvolvimento a cada dia que passava. Hoje, o Gonçalo tem 8 meses e é um bebé saudável, bem disposto e extremamente simpático. É a alegria nas nossas vidas…
Eu e o meu marido queremos aproveitar o momento para agradecer publicamente a todos os médicos e enfermeiros da UCIN do Hospital da Senhora da Oliveira, sem excepção, que durante alguns tempos foram como pais e que permitiram que o Gonçalo se desenvolvesse o mais saudável possível. Sem a vossa ajuda, nunca seria possível. O nosso muito obrigado. Também agradecer a todos aqueles que directa ou indirectamente ajudaram o Gonçalo a tornasse na criança que é hoje.
Muito Obrigado a Todos!

Alexandra Silva
(Setembro 2007)