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Lara O nascimento da Lara, muito desejado por nós e esperado durante alguns anos, precipitou-se porque eu tive pré-eclampsia. Assim, apesar do meu temor por prematuros (os filhos dos outros, mesmo de termo e com 3 kg, pareciam-me pequeníssimos), fui presenteada com uma bebé realmente pequena! Mas logo me adaptei a ela, e depressa os outros bebés me pareceram anormalmente grandes! 
O pior foi o internamento que não parecia ter fim, a ausência de informação técnica, o não saber o que seria o futuro, a impotência de vê-la naquela incubadora sem eu a poder ajudar… A espera é terrível e angustiante – só o sabe quem o vive, penso eu! Foram os “encharcamentos” e dificuldades respiratórias, os diuréticos e a ausência de ganho de peso, a anemia pouco declarada que tardou em merecer uma transfusão, as reduzidas saturações em oxigénio e a permanência de oxigénio na incubadora… Enfim, ainda assim foi-me dito que tudo estava a correr sem complicações, bem até dentro da prematuridade.

E lá vieram também os dias passados no hospital ao lado dela, aguardando pelos pequenos momentos de felicidade que eram a muda das fraldas, uma festinha quando ela chorava, o cantar para a embalar, mais tarde o banho diário e o poder pegar-lhe um pouquito ao colo… 
Finalmente, quase 2 meses depois do nascimento, lá veio o grande dia: a alta da Larita! Foi com confiança e alegria que fomos os três para casa no dia 30 de Abril – a nossa casa ficou cheia com a presença da Lara, cheia de um sentimento intenso e inigualável, as nossas vidas preenchidas como nunca! Tudo corria bem naqueles dias até 6ª feira, dia 2 de Maio, à noite… O Paulo tinha feito um jantar especial para nós e estávamos a dar, primeiro, o jantar à Lara quando ela, ao beber o biberon, deixou pura e simplesmente de respirar! Ficou branca, roxa, eu sei lá! Foi um susto – virei-a e bati-lhe (as palavras da Enf. Sílvia a ecoarem no meu cérebro: “em caso de dúvida, faça-a chorar”), ela chorou mas calou-se novamente, em apneia, voltei-lhe a bater e aí, já todos em pânico, ela chorou assustadíssima e recuperou lentamente a respiração…. Toca de telefonar para o hospital, voar para lá, uma aflição diabólica e uma viagem de 10 minutos que pareceu demorar 10 horas. No hospital, ela foi vista e revista, fizeram-lhe análises, e voltaram a dar-lhe o biberon – e ela voltou a repetir o episódio lá de casa, sem tirar nem pôr, e ficou internada. Pode imaginar como regressamos a casa, a uma casa completamente vazia, com o coração do tamanho de uma cabeça de alfinete… Um misto de remorsos por lhe ter batido tanto (será que ela se lembraria? Iria ficar traumatizada?), de alívio por ter conseguido bater-lhe, de tudo e de nada… Nessa noite, adormeci com o casaquito dela na mão, a sentir ainda o seu cheirinho… Depois seguiu-se a pior e mais longa semana da minha vida, em que tudo de mau foi e equacionado, a Lara recebeu outra transfusão, mais oxigénio, foi picada e repicada e acabou por ir fazer uma pHmetria à D. Estefânia. Aparentemente, tudo estava bem e tudo se devia ao refluxo (agora quantificado e claramente significativo) e à novamente pouco clara anemia… A nossa dor foi tão profunda que eu nem me lembro bem de todos os pormenores desses dias!

Mas tudo acabou bem, a Lara lá teve alta dia 9 de Maio e as nossas vidas recomeçaram. Hoje, dia 5 de Agosto, tenho uma linda menina, forte e determinada em viver, que faz exactamente 5 meses. Tem quase 3,8 kg e é um encanto, mexida, saudável (passou os rastreios oftalmológicos e auditivos) e muito espertalhona! Já sorri, palra, brinca com as mãos e é muito linda e simpática! Durante o tempo de internamento, nunca quis pesquisar a net, e raramente abri o computador (apesar de trabalhar usualmente com ele umas 8 horas por dia…). Na verdade, a net é uma bela fonte de informação, mas também de desinformação, e de sustos! Mas o mesmo não se aplica ao site: ainda bem que existe este site, e em particular a possibilidade de trocar experiências, dúvidas, anseios, temores e alegrias com outras mães (e pais) de prematuros! A nossa experiência é tão diferente da dos restantes pais, que por vezes sinto-me (sentimo-nos?) isolada! Bem haja e muito, muito obrigado por tudo!
Filipa Agosto, 2008
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