| Os meus filhos |
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| Escrito por Claúdia Garcia | |
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Os meus filhos
Durante algum tempo pesquisei, procurei algum site ou outra coisa qualquer onde pudesse, finalmente, desabafar...
Eu, em silêncio, só pedia a Deus que o meu filho aguentasse mais um pouco na minha barriga....Nessa mesma noite, comecei a sangrar... abundantemente... Foi quando foi chamado um Pediatra para avaliar o meu caso. Após uma eco, a estimativa de peso do meu filho, apontava para 600 g. O Pediatra alertou-me para a situação de risco em que estava o meu filho e autorizou a administração de uma injecção para amadurecimento dos pulmões do meu bebé. Havia uma condição: aguentar pelo menos 24 h, caso contrário, não tinha servido de nada. Tive 48 horas em trabalho de parto, numa sala sempre com uma incubadora ao meu lado. O João Pedro nasceu às 20h58m, do dia 09/02, com 555g e 33 cm, com 23 semanas de Gestação. Na sala de parto tiveram presentes 13 pessoas, entre médicos, enfermeiras, auxiliares e pediatras... O meu filho nasceu em silêncio... Foi entregue ao Pediatra, que o reanimou e o colocou numa incubadora... Chamaram então, o meu marido para conhecer o filho... Nessa altura, não o pude ver... estava com febre, não me podia levantar (os médicos tinham-nos confrontado com a situação, pouco antes, que caso o parto não ocorresse brevemente, que seria provocado, pois estávamos a ficar em perigo de vida)Por volta das 2h00 a.m o Pediatra José Maria, foi-me entregar uma foto do meu filho... Quando o vi entrar no quarto, receei que me trouxesse uma má noticia, mas não...Quando tive ordem para me levantar, fui de imediato ver o meu filho à Neo. Eu sabia que ele era pequenino... mas tanto...O João Pedro não teve momentos fáceis... Teve uma hemorragia intraventricular, fez rejeição ao leite, chegou às 420 g, teve paragem renal, para a qual teve de lhe ser administrado antibióticos para voltar a funcionar, recebeu 2 transfusões de sangue devido a uma grave anemia motivada também pela hemorragia cerebral e por fim... morfina... para as dores....
Passados 3 meses, soubemos que era uma menina - a Mariana - ela era a nossa Salvadora! Até às 16 semanas (4 meses) a minha gravidez foi considerada normal. Sempre alertada para o facto de padecer de um problema, denominado incompetência do colo do útero, passei a ficar de repouso a partir dessa altura. Perto das 24 semanas o meu colo encurtou e afunilou e o meu médico (sim... agora um médico, pois depois daquela experiência aterrorizadora tive de mudar), fez-me uma cerclage - tinha apenas 2 cm de colo. Fiquei mais uns tempos internada no Amadora-Sintra e depois fui para casa, com indicação de repouso absoluto (tinha debaixo da minha cama uma arrastadeira). Nessa altura, tive grandes pessoas a ajudar-me... a ajudarem tanto, que nunca vou conseguir algum dia, retribuir... A quem deixo uma grande Homenagem: a minha Mãe, Odete, o meu Pai, Jorge, a minha Sogra Júlia e a minha Tia, Maria e claro, ao meu Marido Pedro, que se mostrou além de um grande Marido, um grande Homem, cheio de coragem...
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